Baixa umidade do ar e o aumento na incidência de infecções

Baixa umidade do ar e o aumento na incidência de infecções

tempo seco

Baixa umidade do ar: Nos meses de inverno, na nossa região, temos uma diminuição importante da umidade relativa do ar. Nesse período sem chuvas, há também um aumento na incidência de infecções e alergias respiratórias na população em geral. Por que isso ocorre e como prevenir?

As mucosas respiratórias normais produzem muco constantemente. Ele é produzido em toda a árvore respiratória e é movimentado através de pequenos cílios nas células da mucosa (invisíveis a olho nu) que batem sempre no mesmo sentido. Esse muco serve para limpar as mucosas de sujeira, de vírus e bactérias. Chamamos isso de “clearence mucociliar”, ou seja, a limpeza das vias aéreas.

Na respiração normal, o organismo precisa umedecer o muco respiratório. Se o muco fica muito desidratado e espesso, ele não conseguirá limpar as vias aéreas adequadamente. Junte-se a isso o fato do ar seco carregar mais partículas de poeira e haverá um acúmulo maior de sujeira nas mucosas respiratórias como um todo. Isso leva a uma sensação de desconforto respiratório, que todos nós podemos sentir nessa época. O corpo tenta se defender, eliminar essa sujeira, através da tosse, dor espirros e da coriza (nariz escorrendo).

O aumento da presença de alergênos, de vírus e bactérias nas nossas mucosas causará uma incidência maior de quadros alérgicos e infecciosos. No nariz, o quadro mais comum é de rinite alérgica e de sinusite alérgica ou infecciosa. Com o muco espesso e a maior sujeira, pode haver uma irritação da mucosa que fica edemaciada e bloqueia a ventilação dos seios da face. Como os seios da face ficam obstruídos, podem acumular secreção e bactérias, ocasionando sinusite.

No pulmão, o mais comum é a asma, que ocorre em uma crise alérgica na qual os brônquios (canais que permitem a passagem do ar dentro do pulmão) se estreitam e o muco espesso obstrui a passagem do ar. Nos olhos, o ressecamento da mucosa e o acúmulo de micropartículas do ar podem causar irritação e coceira. Até na pele seca pode haver quadros de dermatite devido à pele seca em contato com alergênico como o pólen.

Todos os casos acima podem ser tratados adequadamente com medicação, mas a melhor forma de se cuidar nessa época é se prevenir.

Tome pelo menos 2 litros de água por dia. Interessante a quantidade de pacientes aqui da clínica que sabem da necessidade de tomar água com frequência, mas não tomam. Dizem que não dá tempo em meio à rotina corrida. Acho difícil acreditar que tanta gente trabalhe de forma a não ter 30 segundos ao longo da tarde para tomar um copo d’água. De qualquer forma, se você tiver esses 30 segundos, lembre-se de tomar água.

Use soro nasal ao longo do dia. Use sempre o soro fisiológico, aquele que tem concentração 0,9% (não use o 3%, ou hipertônico, pois esse é para tratamentos médicos específicos). Pode usar o soro nasal 5 vezes ao dia ou mais, não há problema. Algumas pessoas ficam com medo pois acham que esse soro pode viciar. Veja, o que vicia são as medicações nasais que possuem vasoconstrictores, como nafazolina ou oximetazolina. Algumas dessas formulações têm malandramente um nome parecido com soro, como “neossoro”. Para não se confundir, é só olhar a fórmula. Tem que ter escrito apenas “cloreto de sódio a 9% ou 9mg/ml”.

Use um método de umidificar o ambiente de trabalho ou o quarto de dormir. Você pode usar uma bacia com água, uma toalha úmida estendida ou, mais prático, usar um umidificador de ar. Outras práticas que podem ajudar são ingerir alimentos que tenham bastante água, como melancia, melão, pera e evitar a prática de exercícios físicos entre 10:00 e 18:00 h.

A prevenção é sempre o melhor tratamento. É preferível não ficar doente.

“As informações aqui colocadas são de caráter informativo. Cada paciente possui suas particularidades e deve ser avaliado e tratado de forma individualizada. Se você tem algum problema de saúde, procure um médico especialista.”

Dr. Henrique Gobbo
CRM – 117688 SP